Lucas Rigaud no seu Cozinheiro Moderno de 1780, propõe diversas receitas de pudins, bolos, biscoitos, frutas, confetis e toda a espécie de alimentos doces, onde surge uma mão cheia de estrangeirismos – como este pudim à inglesa – com a influência das principais Cortes da Europa por onde circulou.

pudim à inglesa

pudim à inglesa

A evolução da doçaria portuguesa verifica-se a partir do Renascimento, sobretudo nos séculos XVII e XVIII, maioritariamente associada a conventos e com a utilização maciça de gemas de ovos e açúcar. No entanto, anteriormente, e durante toda a época medieval, uma refeição muito habitual e que ocorre a diferentes horas do dia é composta por vinho e fruta, acompanhada de doces e confeitos. Os confeitos são pequenas sementes ou frutas cobertas por açúcar. De resto, o açúcar é largamente consumido pela realeza e de diversas formas, tanto com aplicações gastronómicas como medicinais. Uma utilização culinária pouco divulgada é o denominado pão de açúcar. Trata-se de uma calda de cana-de-açúcar fervida e apurada e colocada numa forma de barro cónica para transporte.

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RECEITA de “Pudim à Inglesa” – Cozinheiro Moderno, Lucas Rigaud

Constato que há muito tempo não publico uma sobremesa, exceptuando o Manjar Branco. Deixo, hoje, em vésperas de fim de semana – que se adivinha chuvoso e com pretextos para ligar o forno –  uma receita do século XVIII que selecionei para o meu livro “Cinco Séculos à Mesa” e que é das minhas favoritas do conjunto de 50 receitas históricas.

Ingredientes: 450 g de manteiga; 225 g de farinha de arroz ou de trigo; oito gemas de ovos; casca de 1 limão; 100 ml de água de flor de laranjeira; sal q.b.; canela; noz-moscada q.b.; 225 g de açúcar; 1 cálice de aguardente; vinho do Reno ou vinho do Porto branco.

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Preparação:

Juntar a manteiga amolecida à temperatura ambiente com a farinha, as gemas de ovos, casca de limão ralada, a água de flor de laranjeira, uma pitada de sal, canela e noz-moscada ralada. Acrescentar o açúcar e uma gota de aguardente. Incorporar tudo muito bem e colocar numa forma bem untada com manteiga. Levar a cozer ao forno pré-aquecido a 180o cerca de duas horas. Retirar e virar para um prato. Polvilhar com açúcar e queimar com o ferro ou com maçarico.

 

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Preparar um molho com manteiga, vinho do Reno ou, em alternativa, vinho do Porto branco, açúcar e casca de limão. Levar ao lume até reduzir. Servir o pudim com este molho.

Rende 10 fatias.

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Apesar da nomenclatura indicar “pudim” a consistência e resultado final é mais semelhante ao que entendemos por “bolo”. Em todo o caso, e independentemente de questões de terminologia, ninguém fica indiferente a esta sobremesa.

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