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O segundo desafio do passatempo “Cinco Séculos à Mesa” chegou ao fim. Desta vez a contempla é Dália Antunes que acabou de ganhar um livro e um prato de bolo da coleção Glee, das Porcelanas SPAL. Parabéns, Dália!

Hoje, fica lançado o terceiro desafio deste passatempo. As ofertas são as mesmas, bem como as regras.

Lembro, então, todos os passos para validar a participação no passatempo:

  • tornar-se seguidor deste blog (caso ainda não sejam), deixando o e-mail no campo “Subscrever Blog Via Email” e clicando no botão “Subscribe Now”;
  • deixar um comentário neste post;
  • partilhar este desafio no vosso perfil de facebook com o conhecimento de três amigos;
  • colocar like na minha página de facebook e, igualmente, nas páginas da D.Quixote e SPAL (caso ainda não o tenham feito).

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Na primavera de 1566, quando a Sereníssima Infanta D. Maria se fixa com o seu Príncipe Alexandre Farnese em Parma, leva, juntamente com o seu séquito, um livro de cozinha, designado como “O Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal”. Trata-se do mais antigo e conhecido livro de cozinha português, escrito entre fins do século XV e inícios do XVI.

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Embora alguns autores defendam que não se trata de um livro de receitas para uma cozinha de corte, também não se podem encontrar nele as receitas praticadas pelo povo e pelos grupos sociais com menos acesso aos alimentos de primeira qualidade. De resto, é provável que tenha servido de guia na cozinha à pequena corte que acompanhou D. Maria de Portugal para Parma, pois, a inclusão de alimentos mais raros, dispendiosos e de difícil aquisição, na sua maioria exclusivos de reis, rainhas e aristocratas, tais como as especiarias, açúcar e a nobre lampreia, permite apontar para uma cozinha de elite.

Preparemo-nos para entrar na cozinha medieval conduzidos pela Infanta D. Maria, senhora de notável cultura, versada em línguas clássicas, filosofia e noutras ciências humanas e divinas. A sugestão deste terceiro desafio é mais um prato que pode entrar na mesa natalícia: beilhós de arroz.

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Arroz

Cultura antiga que consta ter entrado no território da Península Ibérica por mãos árabes, o arroz é alimento de divindade e símbolo de fertilidade, daí a tradição de o lançar aos noivos, à saída da igreja, após a cerimónia do matrimónio.

Segundo João Brandão de Buarcos, na centúria de Quinhentos, entram na cidade de Lisboa por ano, de barco ou por terra, aproximadamente 4000 cruzados em arroz. O arroz cozido é vendido na Ribeira diariamente por cinquenta mulheres. Embora conhecido e consumido no reino, desde o século XIV, começa a ser utilizado com alguma regularidade a partir do século XVII e a sua larga difusão ocorre apenas no século seguinte.

No Caderno dos Manjares de Leite existem três receitas com o uso de arroz. Estes beilhós de arroz são uma receita muito idêntica aos bolinhos de arroz fritos que se confecionam no Norte durante a época de Natal.

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Beilhós de arroz

Ingredientes: 150 g de arroz; 700 ml de leite; 2 ovos; 1 colher de sopa de farinha de trigo; 75 g de manteiga; 50 g de açúcar; canela em pó; açúcar em pó.

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Preparação:

Cozer o arroz em leite temperado com açúcar e uma pitada de sal. Deixar arrefecer. Bater dois ovos e adicionar uma colher de farinha. Misturar o arroz frio. Numa frigideira colocar manteiga e quando estiver bem quente, deitar o preparado da massa em colheradas. Se os bolinhos ficarem demasiado espalhados na frigideira, devem ser enrolados em farinha posteriormente. Preparar uma calda de açúcar forte e deitar os bolinhos. Deixar escorrer numa rede ou peneira. Servir polvilhados com canela e açúcar em pó.

Rende 25 beilhós.

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