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Tal como já tinha anunciado no programa televisivo “A Praça”, no dia 18 deste mês, vou desafiar os leitores deste blog com um passatempo onde podem ganhar livros e peças de porcelana da SPAL.

Durante as próximas semanas irei colocar no blog quatro receitas do livro Cinco Séculos à Mesa, editado pela D.Quixote.

 Para validar a participação devem:

Os prémios são semanais. A seleção será feita através dos comentários, sempre relativos ao último post. Assim, para se habilitarem às quatro ofertas, terão de comentar nas quatro receitas apresentadas, ao ritmo de uma por semana. Os vencedores irão receber o livro Cinco Séculos à Mesa e um bonito prato de bolo da coleção Glee, comemorativa dos 50 anos da prestigiada marca portuguesa SPAL

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A escolha das receitas prende-se com a quadra festiva que se aproxima. Embora não haja nenhuma receita de Natal, todas elas podem remeter para o universo culinário natalício.

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Para início do desafio, apresento uma receita do século XVII, do livro “Arte de Cozinha” de Domingos Rodrigues, o primeiro livro de cozinha impresso em Portugal, em 1680.

Nesta receita pode usar polvo ou choco. O polvo continua a ser um alimento muito usual na consoada do Norte de Portugal, daí, a minha opção em incluir um prato com este cefalópode.

Mas vamos descobrir um bocadinho mais sobre o autor e a receita!

Domingos Rodrigues «naceo em Villa Cova da Coelheira em o Bispado de Lamego em o ano de 1637. Applicou-se à Arte de Cozinheiro, em que sahio tão insigne, que depois de a exercitar nas Casas de Excellentíssimos Marquezes […] passou a ser Mestre de Cozinha da Casa Real», quando no trono se senta D. Pedro II.
A cozinha da corte de D. Pedro II reflete a influência francesa, por via do seu casamento com D. Maria Francisca, nascida em Paris, e que morre três anos após a publicação da obra do seu cozinheiro. Será na utilização maciça da manteiga por Domingos Rodrigues, e que constitui a base da designada alta cozinha, bem como a componente ácida de algumas receitas, que se descobre a semelhança com a cozinha francesa.
Domingos Rodrigues mantém a matriz na predominância das carnes, reservando os peixes e mariscos para as obrigações religiosas de abstinências e jejuns. Neste particular, mantém-se em sintonia com o Livro de Cozinha da Infanta D. Maria
Domingos Rodrigues «morreo em Lisboa a 20 de Dezembro de 1719 com 82 annos de idade» mas as suas receitas sobrevivem.

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Ciba em gigote

Autores e historiadores não são consensuais quanto à tradução de ciba, nem mesmo ao nível da grafia, surgindo umas vezes desta forma, noutras como siba. Se para uns corresponde ao polvo, para outros não restam dúvidas de que se trata de choco. Ora, dúvidas à parte, entra na classe dos cefalópodes e por isso, o tratamento da receita poderá ser dado a qualquer um deles. Aqui, optou-se pelo choco. Em relação ao termo gigote consta que designa um guisado com manteiga. Curiosamente, na descrição desta receita, não se encontra essa gordura.

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Ingredientes: 1 choco grande; 6 colheres de sopa de azeite; 2 colheres de sopa de vinagre; ½ colher de chá de pimenta.

Preparação:
Cozer o choco. Depois de cozido cortar em pedaços muito pequenos, quase como um picado. Levar ao lume numa frigideira com azeite, vinagre e pimenta. Logo que ferva, servir de imediato. Esta receita aplica-se a qualquer espécie de peixe.
Serve 4 como entrada.

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