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Afinal a chuva que andou a insinuar-se, durante a semana, deu tréguas na pausa de fim de semana e permitiu que as refeições continuassem marcadas pelos sabores de verão e ainda com resquícios das férias.

Diz o provérbio antigo que «No tempo do tomate toda a mulher é boa cozinheira». Está bem desfasado do tempo e da realidade. Nem todas as mulheres vão para a cozinha; cada vez mais homens o fazem por opção e, apesar de ser um excelente ingrediente, o tomate não dá garantias automáticas, seja lá quem for que lhe ponha a faca, ou qualquer outro utensílio.

Porém, é certo que muitos pratos destacam-se pelo uso inteligente deste fruto. Quem não adora um arroz malandrinho de tomate que levante a mão! E se quisermos ir para os doces, haverá compota mais deliciosa para acompanhar com queijo do que um colorido e pegajoso doce de tomate?

Há-os de todos os tamanhos e feitios e até com nuances na cor. Coração-de-boi o meu preferido, mas também cacho, cereja, rama…

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É preciso pouco para preparar um prato que tem como ingrediente principal o tomate a que acresce pouco mais e que temos sempre à mão. Tendemos a afirmar que a escassez de produtos permite que a cozinha alentejana seja criativa. Com pouco se faz o sublime. Os sabores honestos de que tanto se fala. Acredito nesse princípio e o gaspacho é um bom exemplo desse casamento feliz. A canícula dos dias de verão obriga ao consumo de refeições refrescantes e igualmente reconfortantes. Tomate, pão, azeite… os principais, depois os acrescentos que cada um julga mais adequados: vinagre, pepino, pimento…

Também o clima agreste da vizinha Andaluzia fomenta estes pratos frios mas retemperadores. Gaspachos, salmorejos, ajoblanco… Sopas frias e tão apetitosas que não apetece parar. Cada esplanada convida a sentar, tapear, saborear um salmorejo com uma cerveja fresca que, a mim, só me sabe bem com um calor desmesurado.

Nestas férias pela Andaluzia, com um percurso que se iniciou em Córdova e terminou em Cádiz, com passagem por Granada, Nerja (a lembrar o incontornável «Verão Azul») e Málaga, o salmorejo fez sempre parte das refeições e, também, os boquerones e o ajoblanco.

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O melhor salmorejo com jamón ibérico comi-o aqui. De resto, neste restaurante, para além do serviço muito atencioso e competente, todos os pratos foram uma surpresa e a vontade era provar tudo o que aparece na carta. Esta está elaborada de forma muito interessante, apresentando alguns pratos indicados para partilhar. Inesquecível a mazamorra com ventrusca de bonito, mas também as tinajitas bravas ou as croquetas de avíos del cocido… tantas opções, e a viagem a ter que continuar para outras paragens!

Anseio por dias ainda quentes para tentar a minha versão de ajoblanco!

Fica a minha versão de salmorejo, a que consegui fazer mais próximo do que comemos em Córdova, depois de algumas questões a que o empregado foi respondendo de forma solicita.

Salmorejo com presunto e ovo cozido (serve 2)

  • 50 ml de azeite virgem extra
  • 500 g. de tomates bem maduros
  • 100 g. de pão (de mistura) com um dia
  • 1 dente de alho (colocar de acordo com o gosto de cada um)
  • sal q.b.
  • 1 ovo cozido
  • 2 fatias finas de presunto

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Preparação:

  • Cortar o tomate e colocar na liquidificadora até obter um molho homogéneo. Se não gostar de uma textura com alguns grumos, passar num passador e reservar
  • Cortar o pão em pedaços e colocar cerca de 10 minutos no molho de tomate
  • Cortar o alho e retirar o veio interior e adicionar ao preparado de tomate e pão
  • Acrescentar o azeite e sal e bater tudo novamente até obter um creme bastante macio e aveludado
  • Retificar os temperos e guardar no frigorífico até ao momento de servir. No mínimo duas horas.
  • Na altura de servir, guarnecer com umas tiras finas de presunto e ovo cozido cortado em pedaços pequenos. Acrescentar azeite.

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