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Do Sul vieram laranjas, como já é tradição. Claro que ao longo do ano procuro adquirir também as de lá. Mas estas são diferentes, compradas aos pequenos produtores, nas bancas improvisadas ao longo das estradas, junto às suas casas.

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Pediram-me um granizado. Tinha alguns frutos vermelhos e ainda pensei usar, como já em tempos fiz numa versão mais para adultos. Mas depois ocorreu-me usar as laranjas sumarentas. E o resultado foi muito bom, refrescante e a repetir ao longo do verão, nos dias mais quentes que se adivinham.

Granizado de laranja

500 ml de sumo de laranja

300 ml de água

3 colheres de sopa de açúcar mascavado

1 flor de anis

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Preparação:

* Dissolva o açúcar na água, num tacho, e leve a ferver, juntamente com a flor de anis.

* Retire do lume e deixe arrefecer.

* Espremer as laranjas até obter 500 ml de sumo.

* Misture o xarope de açúcar.

* Leve a congelar num tabuleiro pelo menos 4 horas.

* Na altura de servir, usar um garfo e raspar o preparado obtendo o efeito de granizado.

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Fui «roubar» o título do post a este poema da Natália Correia:

Uma laranja para Alberto Caeiro

Venho simplesmente dizer
que uma laranja é uma laranja
e comove saber que não é ave
se o fosse não seriam ambas
uma só coisa volátil e doce
de que a ave é o impulso de partir
e a laranja o instinto de ficar.
Não sei de nada mais eterno
do que haver sempre uma só coisa
e ela ser muitas e diferentes
e cada coisa ternamente ocupar
só o espaço que pode rodeada
pelo espaço que a pode rodear.
Sei que depois de laranja
a laranja poderá ser até
mesmo laranja se necessária
mas cada vez que o for
sê-lo-á rigorosamente
como se de laranja fosse
a exacta fome inadiável.
De ser laranja gomo a gomo
o íntimo pomo como se enternece
e não cabe em si de amor
embriagada de saber
que a sua morte nos será doce.
 in «O Vinho e a Lira»O Diário de Cynthia
Poesia Completa