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Foto Inês Pinto

De 19 de março a 3 de abril, decorre no Jardim Municipal da Figueira da Foz , o “Jardim da Páscoa”, com diversas iniciativas, como se pode consultar aqui.

Uma delas acontece amanhã, pelas 16H00. O público vai ser convidado a provar e a eleger «O Melhor Folar Tradicional de Páscoa da Figueira da Foz». Estão a concurso 14 padarias e pastelarias do nosso concelho e a eleição vai ser realizada com a colaboração da Escola Profissional da Figueira da Foz, a Câmara Municipal, e associações comerciais, industrias e da restauração.

No livro «A Nossa Mesa: receituário gastronómico da Figueira da Foz» encontram-se algumas referências às tradições da Quaresma e da Páscoa, com várias receitas e os incontornáveis folares

No domingo gordo não comas horto que está o Senhor morto.

A Páscoa, grande celebração católica, é a Ressurreição de Cristo, a Páscoa que representa e vida e o renascimento e por isso muitas vezes simbolicamente associada ao ovo que tem, na sua simbologia mais profunda o atributo da fecundidade e da abundância, ocupando de forma indelével as celebrações pascais, nomeadamente com o típico folar.

O implacável jejum quaresmal era, então, quebrado no domingo de Páscoa. Nas zonas rurais da margem sul do concelho lembram o almoço desse santo domingo com carne de porco e grão de bico e ainda massa meada e os folares.

Em Vila Verde o melhor galo saia da capoeira para um arroz de cabidela ou arroz pardo. Também aqui a tradição do folar é assumida, tendo uma técnica alternativa à coloração dos ovos para o remate. Para além da possibilidade de serem cozidos com casca de cebolas, acede-se ao mesmo efeito usando café de cevada.

Nas mesas mais abastadas e burgueses, os alimentos especiais que definem o final das restrições são também a carne, essencialmente o cabrito e a galinha. A adoçar o final da refeição o arroz-doce, sempre adequado e fiel aos dias das celebrações e festividades.

Fica o folar típico da freguesia de Paião, com fotos da autoria de Inês Pinto que acompanhou todos os passos.

Folares da Celeste

(Maria Celeste Cordeiro da Silva – Paião)
in «A Nossa Mesa: receituário gastronómico da Figueira da Foz», pp. 288-289.

5 kg de farinha de trigo com fermento; 1.750 grs de açúcar; 20 ovos; 350 grs de fermento de padeiro; 400 grs de manteiga; 1 mão cheia de sal grosso; leite q.b., para dissolver o fermento; raspa de 4 limões; nota: não leva canela nem erva doce

Prepara-se uma massa de fermento com: leite morno q.b. para trabalhar o fermento, 1,5 kg de farinha, 350 g de fermento de padeiro e 10 ovos. Repousa em ambiente aquecido, sem tapar, durante cerca de 45 minutos.

Num alguidar de barro coloca-se a restante farinha peneirada, o açúcar, 300 g de manteiga derretida, sal grosso dissolvido num pouco de água morna, raspa de 4 limões e 10 ovos batidos ligeiramente antes de juntar à massa.

Amassa-se a mistura até ficar num ponto de areado. Junta-se a massa de fermento e vai-se trabalhando a massa, adicionando a restante manteiga derretida e leite morno, sempre que se justificar, para amaciar a massa até esta se despegar das mãos.

Em seguida polvilha-se a massa com farinha de trigo, faz-se uma cruz, com a mão, põe-se uma colher de pau que vá de uma ponta à outra do alguidar, no mesa e um cobertor para levedar. Por vezes põe-se um tacho com água quente por debaixo do alguidar para levedar mais depressa. Levam cerca de 2 horas a levedar.

Depois de levedados, envolvem-se as mãos em farinha de trigo e tiram-se pequenas quantidades de massa do alguidar, fazendo bolas que se colocam em cima de uma bancada, polvilhada de farinha, enquanto o forno acaba de aquecer. Para que os folares não ganhem muito lastro (fundo queimado), coloca-se um pouco de farinha em cima de uma folha de papel (saco de papel da farinha, por ex.) e a bola de massa sobre esse papel. Quando estas bolas estão em cima da pá para entrarem no forno, dá-se-lhe um golpe com uma tesoura, que é para a massa crescer e pularem.

Um folar tradicional deve levar o ovo e a massa em cruz, (pela simbologia pascal associada a ambos). Para o efeito, cozem-se os ovos em água com cascas de cebola, para lhes dar um tom avermelhado e colocam-se em cima do bolo antes de entrar no forno. Antes de colocar o folar no forno, deverão ser pincelados com ovo batido para que ganhem cor durante a cozedura.

É também tradição, depois de colocados os folares no forno e antes de os fechar, colocar folhas de louro verde em cima das brasas que ficam junto à boca do forno. Tal contribui para a cor e aroma dos folares. Como diz o povo quando o louro queima “cheira a folares”. Para ver se estão cozidos utiliza-se um palito. Ao retirar do forno tira-se a folha de papel do fundo (que fica ligeiramente agarrada à massa) e sacode-se a farinha que ficou em excesso.