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Há dias em que consigo que o trabalho seja simultaneamente lazer. Esses dias acabam por fazer desvanecer os outros em que algumas tarefas e obrigações são menos interessantes.

Colocar em prática uma seleção de receitas da cozinha tradicional figueirense, do livro que me tem acompanhado, serve os dois propósitos: trabalho e diversão. Além disso,  permite-me preparar o almoço.

Desta vez um saco de favas, já descascadas, que trouxe do sítio do costume, deram o mote a três refeições diferentes com papéis diversos.

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Das receitas previamente selecionadas do Figueira da Foz | cozinha regional, pareceu-me oportuno pegar nas Favas Pobres. Ainda que o nome não seja muito sugestivo, veio ao encontro de  pensamentos e ideias que têm dominado algumas conversas com amigos.

Tanto se fala da crise! Tantas sugestões dos mais diversos quadrantes para se poupar, cortar na despesa, viver com menos. Ora, essa demanda reflete-se obrigatoriamente na cozinha, à mesa. Na hora de comprar os ingredientes é sempre vantajoso deixar que o bom senso venha ao de cima.

Voltamos ao lugar-comum já banalizado: comprar o que é da época, fresco, de preferência nacional e cozinhar de forma simples. Respeitar os alimentos e evitar a comida pré-cozinhada e processada. Parece simples, certo?

Mesmo nos dias em que o tempo parece demasiado curto para nos aproximarmos do fogão, mesmo nesses dias é possível fazer uma refeição rápida, equilibrada, nutritiva, saudável e económica.

Neste caso demorei cerca de 15 minutos. O pão que usei tinha sido cozido no dia anterior, o mesmo com as favas, que não levaram mais do que 8 minutos a cozer e 10 a retirar da casca.

À hora de almoço apenas juntei os restantes ingredientes numa frigideira e deixei que o fogo concluísse o processo.

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Favas Pobres

Figueira da Foz | cozinha regional (adaptado)

Aproveita-se a polpa da fava e leva-se ao lume numa frigideira com azeite, bastante salsa picada, 1 dente de alho, louro, um pouco de vinho branco, sal, pimenta (ou piri-piri q.b.)

Depois de fritas, mistura-se migas de broa*.

* Texto de acordo com o original. Em algumas destas receitas as referências a quantidades e técnicas são omitidas, pelo que as quantidades ficam ao critério da nossa interpretação. Neste caso troquei a broa por pão de trigo e centeio e adaptei as quantidades para um almoço que serve duas pessoas, com cerca de 1+1|2 chávena de favas por pessoa.

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In english

Some days I can easily associate work with leisure. These days eventually compensate others in which some tasks can be less interesting.

Putting in action a selection of recipes of traditional cuisine from Figueira da Foz, the book that has accompanied me, serves two purposes: work and play. Also, it still allows me to prepare lunch.

This time, a bag of beans already peeled,  brought from the usual place, inspired three different meals.

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From the recipes previously selected from the Figueira da Foz | regional cuisine, it seemed appropriate to choose the “Favas Pobres” (Fava beans of the poor). Although the name is not very suggestive, it meets the thoughts and ideas that have dominated some recent conversations with friends.

Lots of talk about the crisis! So many suggestions to save, cut back on spending, live with less… However, this demand necessarily reflects in the kitchen, at the table. When buying the ingredients, it is always good policy to let common sense dominate!

We revisit an old cliche, now commonplace: buy seasonal fresh products, preferably national ones, and do simple cooking. Respect the food and avoid pre-cooked or processed food. Sounds simple, right?

Even on days when time seems too short to let us approach the stove, even in these days you can make a quick, balanced, nutritious, healthy and economical meal.

In this case it took me about 15 minutes. The bread that I used had been cooked the day before. The same happened with the beans, which took no more than 8 minutes to bake and 10 to remove the bark.

At lunchtime I just had to join the remaining ingredients in a pan and let the fire conclude the process.

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Fava beans of the poor

Figueira da Foz | regional cuisine (adapted)

It takes advantage of the pulp and beans it takes to heat a pan with oil, enough chopped parsley, 1 clove garlic, bay leaf, a little white wine, salt, pepper (or piri-piri)

Once fried, mix the bread crumbs *.

* Text in accordance with the original. In some of these recipes references to amounts and techniques are omitted so that quantities may be at the discretion of our interpretation. In this case, I adapted the quantities for two persons, with about 1+1|2 cup of beans per person.

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